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Como investem 5 788 carteiras reais: relatório 2026
Analisámos 5 788 carteiras reais de 3 783 investidores que acompanham o seu dinheiro no MyPortfolio, com dados a 7 de outubro de 2026. A carteira típica tem 5 posições, mais de metade inclui fundos, os mais repetidos são fundos de índice do MSCI World e, das carteiras com um ano de histórico, só 22% bateram esse índice.
12 min de leitura
Em resumo
- A carteira mediana do MyPortfolio tem 5 posições, e em 40% das carteiras uma única posição pesa mais de metade do total.
- 54% das carteiras têm fundos de investimento, 45% têm ações e 33% têm ETF; só 2% têm criptomoedas compradas diretamente.
- Os fundos mais repetidos são de índice: Fidelity MSCI World, Vanguard Global Small-Cap e Vanguard Global Stock aparecem, cada um, em 6% das carteiras.
- Das 2 320 carteiras em euros com um ano de histórico, 22% ganharam mais do que o MSCI World (+20,7%) entre outubro de 2025 e outubro de 2026; a carteira mediana ganhou 11%.
Quantas posições tem uma carteira real?
A resposta curta é 5. É a mediana: metade das carteiras tem 5 posições ou menos e a outra metade, 5 ou mais. Uma em cada quatro tem 3 ou menos e outra em cada quatro, 9 ou mais.
Os extremos são menos frequentes do que parece nas redes sociais. Só 14% das carteiras têm uma única posição e apenas 5% passam das 20. Contamos como posição cada ativo diferente com unidades em carteira, mesmo que tenha sido comprado em várias vezes.
Mais posições não significa mais diversificação. Um só fundo de índice do MSCI World já reparte o dinheiro por mais de 1 200 empresas, enquanto dez ações do mesmo setor continuam a ser uma aposta concentrada.
| Posições | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|
| 1 | 14% | 838 |
| 2 a 5 | 39% | 2.263 |
| 6 a 10 | 27% | 1.563 |
| 11 a 20 | 15% | 850 |
| Mais de 20 | 5% | 274 |
Em que investem: fundos, ações, ETF ou criptomoedas?
Ganham os fundos de investimento: 54% das carteiras têm pelo menos um e 28% têm pelo menos um fundo de índice. As ações aparecem em 45% das carteiras e os ETF em 33%. As criptomoedas compradas diretamente ficam pelos 2%, embora haja quem as tenha através de ETF de bitcoin.
A maioria fica-se por um só tipo de ativo: 37% das carteiras só têm fundos, 26% só ações e 9% só ETF. Apenas 27% combinam dois tipos ou mais. Para quem investe a partir de Espanha há uma explicação possível: em Espanha, os fundos podem ser transferidos de um para outro sem pagar impostos e os ETF não, por isso quem começa com fundos tende a continuar com fundos.
46% das carteiras receberam pelo menos um dividendo nos últimos doze meses. Que as restantes não recebam não quer dizer que não ganhem: os fundos e ETF de acumulação reinvestem os dividendos e não os distribuem.
| Carteiras com | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|
| Algum fundo de investimento | 54% | 3.106 |
| Algum fundo de índice | 28% | 1.639 |
| Alguma ação | 45% | 2.591 |
| Algum ETF ou ETC | 33% | 1.936 |
| Criptomoedas compradas diretamente | 2% | 129 |
| Só fundos | 37% | 2.137 |
| Só ações | 26% | 1.483 |
| Só ETF | 9% | 549 |
| Dois tipos de ativo ou mais | 27% | 1.587 |
Quais são os fundos mais populares?
O fundo mais repetido não chega a 7% das carteiras. Não há um fundo que toda a gente tenha: há muitos fundos que se repetem um pouco.
Nove dos dezasseis primeiros são de índice, e quatro deles seguem o mesmo índice, o MSCI World: Fidelity MSCI World Index Fund, Vanguard Global Stock Index Fund, iShares Developed World Index Fund e Amundi Index MSCI World. Ao lado aparecem fundos de índice de pequenas empresas globais e de mercados emergentes, que muitos usam para completar o MSCI World.
Entre os de gestão ativa estão duas gestoras espanholas de estilo value, Azvalor e Horos, um fundo de tecnologia, um misto (Gamma Global) e vários de obrigações ou monetários (Groupama Trésorerie, DNCA Alpha Bonds e Neuberger Berman Short Duration Euro Bond), que costumam ocupar a parte mais conservadora da carteira.
Contamos todas as classes de um mesmo fundo como uma só: a classe em euros, a coberta e a de investidor do Vanguard Global Stock contam como um único fundo. A lista descreve o que os investidores têm; não é uma recomendação.
| Fundo | Gestão | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|---|
| 1. Fidelity MSCI World Index Fund | Indexada | 6% | 354 |
| 2. Vanguard Global Small-Cap Index Fund | Indexada | 6% | 351 |
| 3. Vanguard Global Stock Index Fund | Indexada | 6% | 346 |
| 4. iShares Developed World Index Fund | Indexada | 5% | 277 |
| 5. Fidelity Global Technology Fund | Ativa | 5% | 272 |
| 6. iShares Emerging Markets Index Fund | Indexada | 4% | 250 |
| 7. Vanguard Emerging Markets Stock Index Fund | Indexada | 4% | 238 |
| 8. Vanguard U.S. 500 Stock Index Fund | Indexada | 4% | 214 |
| 9. Groupama Trésorerie | Ativa | 4% | 203 |
| 10. Azvalor Internacional | Ativa | 3% | 196 |
| 11. Fidelity S&P 500 Index Fund | Indexada | 3% | 193 |
| 12. DNCA Invest Alpha Bonds | Ativa | 3% | 191 |
| 13. Amundi Index MSCI World | Indexada | 3% | 188 |
| 14. Horos Value Internacional | Ativa | 3% | 184 |
| 15. Gamma Global FI | Ativa | 3% | 182 |
| 15. Neuberger Berman Short Duration Euro Bond Fund | Ativa | 3% | 182 |
Quais são os ETF mais populares?
O mais repetido não é de ações: é o iShares Physical Gold, um ETC garantido por ouro físico que está em 5% das carteiras. O segundo também é ouro, o Invesco Physical Gold. Um ETC não é tecnicamente um ETF, mas compra-se e vende-se em bolsa da mesma forma, por isso contamo-los juntos.
Depois vêm os grandes índices (iShares Core MSCI World, iShares Core S&P 500 e Vanguard FTSE All-World) e ETF temáticos de defesa e de semicondutores. Quatro da lista estão cotados nos Estados Unidos: QQQ, SPY, VOO e IBIT. Um investidor particular na União Europeia normalmente não os pode comprar, porque não têm o documento de informação fundamental (KID) que a regulamentação europeia exige.
Os ETF estão mais dispersos do que os fundos: só doze ultrapassam as 50 carteiras, o mínimo que definimos para publicar um número.
| ETF ou ETC | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|
| 1. iShares Physical Gold ETC | 5% | 306 |
| 2. Invesco Physical Gold ETC | 2% | 139 |
| 3. iShares Core MSCI World UCITS ETF | 2% | 92 |
| 4. iShares Core S&P 500 UCITS ETF | 1% | 72 |
| 5. Invesco QQQ Trust (Nasdaq-100) | 1% | 69 |
| 6. iShares Bitcoin Trust ETF | 1% | 68 |
| 7. Vanguard FTSE All-World UCITS ETF (Acc) | 1% | 63 |
| 8. VanEck Defense UCITS ETF | 1% | 62 |
| 9. SPDR S&P 500 ETF Trust | 1% | 61 |
| 9. Vanguard S&P 500 ETF | 1% | 61 |
| 11. iShares Core MSCI EM IMI UCITS ETF | 1% | 57 |
| 12. VanEck Semiconductor UCITS ETF | 1% | 55 |
Quais são as ações mais populares?
A Microsoft e a NVIDIA lideram a lista, cada uma em 8% das carteiras. Seguem-se Alphabet, Amazon, Apple e Meta: as seis grandes tecnológicas americanas ocupam os seis primeiros lugares.
As primeiras espanholas são Banco Santander, Repsol e Iberdrola, cada uma em 3% das carteiras, e Inditex, em 2%. O resto mistura mais tecnologia (Tesla, Micron e AMD) com ações defensivas como Johnson & Johnson e Berkshire Hathaway.
Atenção: a lista não mostra o que as pessoas estão a comprar agora. Mostra o que têm hoje em carteira, incluindo compras de há anos.
| Empresa | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|
| 1. Microsoft | 8% | 460 |
| 2. NVIDIA | 8% | 441 |
| 3. Alphabet (Google) | 6% | 356 |
| 4. Amazon | 6% | 319 |
| 5. Apple | 5% | 310 |
| 6. Meta Platforms | 5% | 269 |
| 7. Banco Santander | 3% | 176 |
| 8. Repsol | 3% | 166 |
| 9. Iberdrola | 3% | 160 |
| 10. Tesla | 3% | 155 |
| 11. Micron Technology | 2% | 138 |
| 12. Inditex | 2% | 124 |
| 13. Johnson & Johnson | 2% | 116 |
| 14. AMD | 2% | 112 |
| 15. Berkshire Hathaway | 2% | 106 |
MSCI World e S&P 500: quantos têm os dois?
21% das carteiras têm um fundo ou um ETF que replica o MSCI World e 13% têm um do S&P 500. 30% têm pelo menos um dos dois.
4% têm os dois ao mesmo tempo, 240 carteiras. Dito de outra forma: uma em cada três carteiras com um S&P 500 tem também um MSCI World.
Tê-los juntos não é um erro, mas convém saber o que se compra. Segundo a MSCI, a 30 de setembro de 2026 as empresas dos Estados Unidos pesavam 72,9% do MSCI World. Quem junta um S&P 500 a um MSCI World aumenta ainda mais o peso dos Estados Unidos e das mesmas grandes empresas.
| Carteiras com | % de carteiras | Carteiras |
|---|---|---|
| Um MSCI World | 21% | 1.218 |
| Um S&P 500 | 13% | 752 |
| Os dois | 4% | 240 |
| Pelo menos um | 30% | 1.730 |
Quanto pesa a maior posição de uma carteira?
Na carteira mediana, a maior posição pesa 40% do total, a preços de mercado. Se deixarmos de fora as carteiras com uma só posição, a mediana desce para 35%.
40% das carteiras têm mais de metade do dinheiro numa única posição e 74% têm mais de um quarto. Entre as carteiras com duas posições ou mais, três em cada dez têm mais de metade numa só.
Uma posição grande nem sempre é um problema: se for um fundo de índice global, lá dentro há mais de mil empresas. Já o é quando essa posição é uma única ação. No MyPortfolio vê o peso de cada posição da sua carteira e como se reparte por setores e por países.
Quanto pesa Espanha nas carteiras de quem investe a partir de Espanha?
Nesta secção olhamos apenas para os investidores com conta em Espanha, que são dois em cada três. Dos que têm ações, metade (51%) tem pelo menos uma empresa espanhola. 30% têm mais de metade do dinheiro em ações aplicado em empresas espanholas, e 19% só têm ações espanholas. É o chamado enviesamento doméstico.
Entre os que têm alguma ação espanhola, o peso mediano de Espanha na sua parte em ações é de 71%. Como referência, no MSCI World os Estados Unidos pesam 72,9% e Espanha nem sequer está entre os quatro primeiros países: o quarto, o Canadá, pesa 3,3% (MSCI, 30 de setembro de 2026).
Nos fundos, 56% dos investidores em Espanha que têm fundos têm pelo menos um domiciliado em Espanha. Isso não diz onde o fundo investe: Azvalor Internacional e Horos Value Internacional são fundos espanhóis que investem sobretudo fora de Espanha.
Quantas carteiras bateram o MSCI World no último ano?
Das 2 320 carteiras em euros com pelo menos um ano de histórico, 22% ganharam mais do que o MSCI World entre 6 de outubro de 2025 e 6 de outubro de 2026. O índice, medido com um ETF de MSCI World em euros, subiu 20,7%; a carteira mediana, 11%. 92% das carteiras terminaram o ano em positivo.
A comparação tem uma armadilha e convém dizê-lo: muitas carteiras não pretendem bater um índice de ações mundial. As que têm obrigações, monetários ou liquidez procuram outra coisa, e num ano em que a bolsa sobe 20% é normal que fiquem para trás. O útil é comparar-se com o índice que se parece com o que tem.
Usamos a rentabilidade TWR, que mede a gestão sem que as entradas e saídas de dinheiro a distorçam. O ETF de referência reinveste os dividendos e desconta a sua comissão de 0,20% ao ano, por isso a fasquia fica um pouco abaixo do índice puro.
Metodologia: que carteiras contámos e como
Dados a 7 de outubro de 2026, com as valorizações ao fecho de 6 de outubro. Partimos de todas as carteiras pessoais do MyPortfolio e deixámos de fora as de ligas e torneios, as de prática com dinheiro fictício, as copiadas de carteiras da comunidade, as de contas internas, de administração ou desativadas, as que têm dados de rentabilidade incompletos, as criadas há menos de um mês e as que têm menos de 1 000 € ou mais de 5 milhões de euros investidos (ou o equivalente noutra moeda). Restam 5 788 carteiras de 3 783 investidores.
Uma carteira tem um ativo se mantiver unidades desse ativo. Agrupamos as cotações de um mesmo título em bolsas diferentes pelo seu ISIN, e todas as classes de um fundo como um só fundo. O tipo de ativo é o da nossa ficha, não o que cada utilizador escreveu. O peso de cada posição é calculado a preço de mercado, com as 5 685 carteiras cuja valorização recalculada coincide com a guardada, com uma margem de 5%.
Para a rentabilidade a um ano, encadeámos a TWR diária entre 6 de outubro de 2025 e 6 de outubro de 2026, só em carteiras em euros, e comparámo-la com o preço em euros do iShares Core MSCI World UCITS ETF nas mesmas datas. Inclui carteiras importadas mais tarde com o histórico completo, e o resultado quase não muda por isso: das que já estavam no MyPortfolio há um ano, 22% bateram o índice, e das importadas depois, 21%.
Privacidade: só publicamos números agregados, cada um calculado sobre pelo menos 50 carteiras, e arredondamos as percentagens a números inteiros. Não usamos nomes nem carteiras concretas. Os utilizadores do MyPortfolio não são uma amostra de todos os investidores: são pessoas que acompanham os seus investimentos com uma ferramenta, e dois em cada três têm conta em Espanha.
Pode descarregar a tabela agregada em CSV e reutilizá-la citando a fonte, com licença CC BY 4.0.
Perguntas frequentes
Quantas posições tem, em média, uma carteira de investimento?
No MyPortfolio, a carteira mediana tem 5 posições (5 788 carteiras, dados a 7 de outubro de 2026). Metade das carteiras tem entre 3 e 9; só 14% têm uma e 5% mais de 20.
Quais são os fundos de índice mais populares?
Nas carteiras do MyPortfolio, os mais repetidos são Fidelity MSCI World Index Fund, Vanguard Global Small-Cap Index Fund e Vanguard Global Stock Index Fund, cada um em 6% das carteiras, seguidos do iShares Developed World Index Fund, em 5%.
Quais são os ETF mais populares?
Os mais repetidos no MyPortfolio são dois ETC de ouro físico, iShares Physical Gold (5% das carteiras) e Invesco Physical Gold (2%), seguidos do iShares Core MSCI World UCITS ETF (2%) e do iShares Core S&P 500 UCITS ETF (1%).
Em que investem os investidores em Espanha?
No MyPortfolio, onde duas em cada três carteiras são de investidores com conta em Espanha, 54% das carteiras têm fundos, 45% ações e 33% ETF. Dos investidores em Espanha com ações, metade tem alguma empresa espanhola; as mais repetidas são Santander, Repsol, Iberdrola e Inditex.
É má ideia ter um MSCI World e um S&P 500 ao mesmo tempo?
Não é um erro, mas sobrepõem-se: segundo a MSCI, os Estados Unidos pesavam 72,9% do MSCI World a 30 de setembro de 2026, por isso juntar um S&P 500 aumenta ainda mais esse peso. No MyPortfolio, 4% das carteiras têm os dois.