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A nota de qualidade da sua carteira: o que mede e como se calcula
No cabeçalho de cada carteira, ao lado da rentabilidade, aparece uma «Qualidade» com uma nota de 0 a 100. Não diz quanto ganhou, mas como o ganhou: se essa rentabilidade lhe custou muitos sustos ou poucos. Aqui tem exatamente que dados usa, quanto pesa cada um e como ler a sua.
8 min de leitura
Em resumo
- A nota de qualidade avalia de 0 a 100 como uma carteira obteve a sua rentabilidade: até 65 pontos vêm do rácio de Sortino e até 35 da queda máxima.
- O Sortino mede o que a carteira ganha acima de 2% ao ano por cada unidade de risco de descida; a queda máxima não tira nada até 10% e tira tudo a partir de 50%.
- De 70 a 100 é uma nota alta, de 40 a 69 média e de 0 a 39 baixa; um fundo monetário tem cerca de 50 e o MSCI World, cerca de 60 nos últimos cinco anos.
- A nota da sua carteira considera os últimos 12 meses e, com menos de um ano de histórico, aproxima-se de 50.
O que é a nota de qualidade
A nota de qualidade resume num número de 0 a 100 como se comportou a sua carteira. Não compete com a rentabilidade, completa-a: duas carteiras que ganham o mesmo podem tê-lo feito de forma muito diferente, uma quase sem sobressaltos e a outra com quedas que lhe tiram o sono.
Constrói-se com dois ingredientes e nada mais. O rácio de Sortino pesa 65%: até 65 pontos pelo que ganha em troca do risco de descida. A queda máxima (o drawdown) pesa 35%: até 35 pontos que se vão perdendo quanto mais fundo tiver sido o pior buraco.
O resultado lê-se por faixas: de 70 a 100 é uma nota alta (ponto verde), de 40 a 69 média (âmbar) e de 0 a 39 baixa (vermelho).
O Sortino: o que ganha por cada susto (65 pontos)
O rácio de Sortino é parente do rácio de Sharpe: também divide o que ganha pelo risco que corre. A diferença é que só conta como risco os dias maus. Que a sua carteira suba com força não o assusta, por isso não é penalizado.
O que ganha mede-se acima de 2% ao ano, mais ou menos o que rende um fundo monetário em euros. Se a sua carteira não passa essa fasquia, não lhe pagou nada por arriscar. E os dias maus são os que rendem abaixo dela.
Há um mínimo para o risco: nunca se considera menos de 2% ao ano de oscilação para baixo. Sem ele, uma carteira que quase não se mexe dividiria por quase zero e teria uma nota altíssima sem a merecer.
O Sortino converte-se em pontos com a tabela abaixo. Se a carteira ganha menos do que esses 2%, o Sortino sai negativo e este bloco dá menos de 13 pontos; com um Sortino de −1 ou pior, nenhum.
| Sortino anual | Pontos (em 65) |
|---|---|
| −1 ou menos | 0 |
| 0 | 13 |
| 1 | 36 |
| 2 | 52 |
| 3 | 62 |
| 4 ou mais | 65 |
A queda máxima: o pior buraco (35 pontos)
A queda máxima é quanto chegou a descer a sua carteira desde um máximo até ao ponto mais baixo que veio a seguir. É o momento em que mais custa não vender.
Uma queda de até 10% não tira nada: é o vaivém normal de qualquer carteira com ações. A partir daí, cada ponto de queda desconta em linha reta, até que uma queda de 50% ou mais leva os 35 pontos inteiros.
Mede-se sobre a rentabilidade da carteira (TWR) e não sobre o seu valor em euros. Assim, retirar dinheiro não conta como queda e colocá-lo não esconde uma queda a sério.
| Queda máxima | Pontos (em 35) |
|---|---|
| 10% ou menos | 35 |
| 20% | 26 |
| 30% | 18 |
| 40% | 9 |
| 50% ou mais | 0 |
Que período considera a sua nota
A nota do cabeçalho da sua carteira calcula-se com a rentabilidade de cada dia dos últimos 12 meses. É uma fotografia do último ano, não de toda a história da carteira.
É preciso um mínimo de movimento: se nesses 12 meses o valor da carteira mudou em menos de 10 dias (por exemplo, porque quase tudo é liquidez), não há nota.
Com menos de um ano de histórico, a nota aproxima-se de 50 na proporção do que falta para completar um ano de sessões de bolsa. Com meio ano, por exemplo, uma carteira que com o ano completo teria 80 fica-se pelos 65. Umas semanas tranquilas não demonstram que uma carteira está bem gerida.
Nas ligas e torneios a nota usa a mesma fórmula, mas sobre as datas da competição e sem a aproximar de 50.
Como ler a sua nota
Olhe para a faixa antes do número
De 70 a 100 é alta, de 40 a 69 média e de 0 a 39 baixa. Entre um 62 e um 64 não há diferença que importe; entre um 45 e um 80, há.
Compare-a com as referências
Um fundo monetário tem cerca de 50 e o MSCI World, cerca de 60 em cinco anos com um ano mau pelo meio. Se a sua carteira está acima, conseguiu a sua rentabilidade com menos sustos do que o mercado global.
Abra o detalhe para ver o que pesa
Ao passar o rato ou tocar na nota vê o seu Sortino e a sua queda máxima. Um Sortino baixo diz que o risco lhe pagou pouco; uma queda grande, que o pior momento foi duro.
Não julgue uma carteira nova pela sua nota
Com menos de um ano de histórico a nota ainda se aproxima de 50. Espere ter um ano completo antes de tirar conclusões.
| Referência | Nota aproximada |
|---|---|
| Fundo monetário em euros | 50 |
| MSCI World, últimos cinco anos (com 2022) | 60 |
| MSCI World, o seu melhor ano recente | 90 |
O que a nota não diz
A nota olha para trás: resume como a carteira se comportou, não como se vai comportar. Um ano tranquilo pode subi-la sem que a carteira seja menos arriscada do que antes.
Também não mede a diversificação, as comissões nem se a carteira se ajusta aos seus objetivos. E não substitui a rentabilidade: primeiro veja quanto ganha e depois use a nota para ver a que preço o ganhou.
No MyPortfolio calculamo-la automaticamente para cada carteira, a partir do seu histórico diário, para que compare não só quanto ganham as suas carteiras, mas também como o conseguem.
Perguntas frequentes
Que dados se usam para avaliar a qualidade de uma carteira?
Dois: o rácio de Sortino da carteira, que dá até 65 pontos, e a sua queda máxima (drawdown), que dá até 35. Ambos se calculam com a rentabilidade de cada dia dos últimos 12 meses.
O que é uma boa nota de qualidade?
De 70 a 100 é uma nota alta. Como referência, um fundo monetário em euros tem cerca de 50 e o MSCI World, cerca de 60 nos últimos cinco anos, com 2022 incluído.
Porque é que a minha carteira nova tem uma nota próxima de 50?
Porque, com menos de um ano de histórico, a nota aproxima-se de 50 na proporção do que falta. Umas poucas semanas tranquilas não chegam para saber se uma carteira está bem gerida.
Conta o número de dias positivos?
Não. A nota só considera o Sortino e a queda máxima. Uma carteira pode subir em poucos dias e ganhar muito neles, ou subir um pouco quase todos os dias e afundar-se num só.
As entradas e os levantamentos de dinheiro alteram a nota?
Não. Calcula-se com a rentabilidade da carteira (TWR), que não se mexe quando coloca ou retira dinheiro, por isso um levantamento não conta como queda e uma entrada de dinheiro não esconde uma queda real.